Ellen Nascimento

Blog Jornalístico

Desaparecimento de Crianças no Maranhão: 42 dias e nenhum avanço nas investações

As buscas por Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam 42 dias sem respostas em Bacabal, no interior do Maranhão. Desde o desaparecimento, equipes do Corpo de Bombeiros do Maranhão seguem mobilizadas na tentativa de localizar os irmãos, mas até o momento não há pistas concretas sobre o paradeiro das crianças.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as equipes voltaram a percorrer áreas que já haviam sido vistoriadas anteriormente. As buscas permanecem concentradas nos pontos mapeados no início das operações, numa estratégia que busca identificar qualquer detalhe que possa ter passado despercebido.

Diariamente, os agentes entram na mata e realizam varreduras minuciosas nas regiões já percorridas. O objetivo é localizar vestígios, como roupas ou objetos – que possam indicar o trajeto feito pelas crianças e, assim, ajudar a reduzir a área de procura.

Em trechos de difícil acesso, as equipes contam com apoio aéreo de helicóptero e drones, ampliando o alcance das operações. O último rastro identificado foi apontado por cães farejadores em uma cabana abandonada, chamada pelos policiais de “casa caída”. O local fica a cerca de 3,5 quilômetros, em linha reta, da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, ponto de onde os irmãos e o primo, Anderson Kauã, desapareceram.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, o caso é investigado por uma comissão criada especialmente para atuar na ocorrência. Dezenas de pessoas já foram ouvidas, e algumas pistas foram descartadas ao longo das apurações.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP) informou que não divulgará detalhes da investigação para não comprometer o trabalho das equipes.

As buscas seguem com a participação do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e do Exército Brasileiro, que continuam atuando nas áreas mapeadas desde o início das operações.

Enquanto as investigações avançam sob sigilo, familiares e moradores da região permanecem na expectativa por respostas. O caso segue mobilizando forças de segurança e despertando comoção em todo o estado.

Justiça mantém prisão de investigados por desvio de R$ 56 milhões em Turilândia

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) decidiu, nesta segunda-feira (9), manter as prisões dos investigados por suposto envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos no município de Turilândia, na Baixada Maranhense. O valor estimado do prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 56 milhões.

De acordo com as informações divulgadas, a decisão atinge todos os acusados que já estavam presos preventivamente no âmbito da investigação. Entre eles estão o prefeito Paulo Curió, a ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima, o marido dela, Marlon Serrão, além de contador da prefeitura, vereadores, empresários e servidores públicos.

A manutenção das prisões foi determinada após análise dos pedidos das defesas, que buscavam a revogação das medidas cautelares. No entanto, o colegiado entendeu que permanecem presentes os requisitos legais para a prisão preventiva, considerando a gravidade dos fatos apurados e a necessidade de garantir a ordem pública e o andamento das investigações.

O caso envolve suspeitas de fraudes em contratos e licitações, além de possíveis práticas de organização criminosa e desvio sistemático de recursos públicos municipais.

As investigações seguem em andamento, e os acusados permanecem à disposição da Justiça. A defesa dos investigados ainda pode recorrer da decisão.

O espaço permanece aberto para manifestações das partes citadas.

STJ nega habeas corpus a prefeito interino de Turilândia

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de José Luís Araújo Diniz, prefeito interino do município de Turilândia. A decisão mantém a prisão domiciliar do gestor, que segue impedido de exercer o cargo de forma presencial.

O pedido da defesa tinha como objetivo revogar a prisão domiciliar para permitir que José Luís voltasse às atividades normais na prefeitura. No entanto, o STJ entendeu que ainda não pode analisar o mérito do caso.

José Luís é investigado na Operação Tântalo II, que apura supostos desvios de recursos públicos no município. Inicialmente, ele teve a prisão preventiva decretada, mas a medida foi convertida em prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica.

Além disso, o prefeito interino está proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas do processo.

De acordo com o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do caso no STJ, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) ainda não julgou de forma definitiva os pedidos apresentados pela defesa. Por esse motivo, o STJ não pode avançar na análise do habeas corpus neste momento.

Com isso, a prisão domiciliar de José Luís Araújo Diniz continua válida até que haja uma nova decisão da Justiça estadual.

O caso segue em andamento e novas atualizações dependem do julgamento no TJ-MA.

Desembargadora Maria da Graça mantém prisão de prefeito e investigados no caso Turilândia


A Desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim decidiu manter a prisão do prefeito de Turilândia, Paulo Curió, da vice‑prefeita Tânya Mendes e de outros investigados no caso Turilândia, reforçando o compromisso da Justiça com a ética e a legalidade.

A decisão ocorre no âmbito da Operação Tântalo II, que apura um suposto esquema de corrupção na prefeitura, envolvendo desvios de mais de R$ 56 milhões por meio de fraudes em licitações e contratos.

Apesar de o Ministério Público do Maranhão (MPMA) ter se manifestado favoravelmente à soltura dos investigados, a magistrada entendeu que a prisão preventiva ainda é necessária para evitar interferência nas investigações; impedir destruição de provas; considerar a gravidade dos indícios de crimes.

Impacto da decisão

A postura firme da Desembargadora mostra que o Brasil não é uma terra sem lei. A decisão reforça a credibilidade do Judiciário e envia uma mensagem clara: ninguém está acima da lei.

Com a manutenção das prisões, o prefeito e a vice‑prefeita permanecem afastados dos cargos, enquanto outros envolvidos tiveram a situação analisada individualmente, com alguns cumprindo prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica.

Repercussão

A decisão também gerou impactos dentro do Ministério Público. Promotores que atuam no caso pediram exoneração coletiva após divergências sobre o parecer favorável à soltura emitido pela Procuradoria‑Geral de Justiça.

Especialistas e membros da sociedade veem a decisão como um sinal de que a Justiça atua de forma independente, firme e responsável, mesmo diante da pressão e complexidade de casos de grande repercussão.

Promotores do GAECO/MPMA pedem exoneração coletiva após parecer favorável à soltura de investigados em Turilândia

Neste domingo (11), todos os promotores que atuam no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Maranhão (GAECO/MPMA) solicitaram exoneração coletiva de seus cargos no órgão. O pedido foi formalizado por meio de um memorando enviado ao Procurador-Geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira.

A decisão dos promotores ocorre em reação ao parecer favorável à soltura do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de outros investigados presos desde a semana do Natal de 2025, acusados de envolvimento em um esquema de desvio de mais de R$ 56 milhões do município. O parecer foi assinado pelo procurador-geral em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, responsável por analisar os pedidos de defesa.

No documento, os promotores afirmam que a posição adotada pela Procuradoria-Geral de Justiça diverge do entendimento técnico-jurídico desenvolvido pelo GAECO ao longo da investigação. Segundo eles, a medida enfraquece a atuação do Ministério Público no combate a organizações criminosas e compromete a credibilidade das investigações, além de prejudicar a efetividade das medidas cautelares aplicadas.

Os dez promotores que assinam o memorando destacam que, apesar do respeito à autoridade da Procuradoria-Geral de Justiça, a divergência de entendimento inviabiliza a manutenção de suas funções no GAECO. Entre os signatários estão Luiz Muniz Rocha Filho, coordenador do GAECO/MPMA, e promotores que atuam nas unidades de São Luís, Imperatriz e Timon.

O grupo informou ainda que será elaborado um relatório detalhado sobre as atividades já realizadas e as que estão em andamento, garantindo a continuidade das investigações e a preservação do interesse público.

Essa exoneração coletiva marca um momento delicado para o Ministério Público do Maranhão, ao mesmo tempo em que evidencia a tensão entre a Procuradoria-Geral de Justiça e os integrantes do GAECO no contexto de investigações de grande repercussão, como a Operação Tântalo II em Turilândia.