Neste domingo (11), todos os promotores que atuam no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Maranhão (GAECO/MPMA) solicitaram exoneração coletiva de seus cargos no órgão. O pedido foi formalizado por meio de um memorando enviado ao Procurador-Geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira.
A decisão dos promotores ocorre em reação ao parecer favorável à soltura do prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), e de outros investigados presos desde a semana do Natal de 2025, acusados de envolvimento em um esquema de desvio de mais de R$ 56 milhões do município. O parecer foi assinado pelo procurador-geral em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, responsável por analisar os pedidos de defesa.
No documento, os promotores afirmam que a posição adotada pela Procuradoria-Geral de Justiça diverge do entendimento técnico-jurídico desenvolvido pelo GAECO ao longo da investigação. Segundo eles, a medida enfraquece a atuação do Ministério Público no combate a organizações criminosas e compromete a credibilidade das investigações, além de prejudicar a efetividade das medidas cautelares aplicadas.
Os dez promotores que assinam o memorando destacam que, apesar do respeito à autoridade da Procuradoria-Geral de Justiça, a divergência de entendimento inviabiliza a manutenção de suas funções no GAECO. Entre os signatários estão Luiz Muniz Rocha Filho, coordenador do GAECO/MPMA, e promotores que atuam nas unidades de São Luís, Imperatriz e Timon.
O grupo informou ainda que será elaborado um relatório detalhado sobre as atividades já realizadas e as que estão em andamento, garantindo a continuidade das investigações e a preservação do interesse público.
Essa exoneração coletiva marca um momento delicado para o Ministério Público do Maranhão, ao mesmo tempo em que evidencia a tensão entre a Procuradoria-Geral de Justiça e os integrantes do GAECO no contexto de investigações de grande repercussão, como a Operação Tântalo II em Turilândia.